Limpeza do Contra Baixo

Vamos abordar um tema repleto de sugestões e controvérsias: os cuidados com a limpeza do contrabaixo. O assunto é polêmico porque as medidas a serem tomadas diferem de acordo com o revestimento do corpo (apenas encerado ou com pintura protegida por verniz, que pode ser brilhante ou fosco) e da escala (com madeira clara envernizada ou escura e natural).


Normalmente, um instrumento de acabamento brilhante possui pintura com quatro tipos de aplicação: fundo aderente, fundo poliéster, tinta e duas a três mãos de verniz. Após ficar seco, o corpo é lixado para ficar nivelado e, em seguida é polido. Nesse processo, curiosamente, pode perder uma ou duas camadas de verniz.



Limpeza, cuidados e lubrificação do contrabaixo Parte 1

Quando em uso constante, o equipamento começa a apresentar problemas em sua superfície. A pintura retém a gordura das mãos, enquanto o suor mais ácido causa algumas pequenas manchas. O verniz, por sua vez, chega a “queimar”, apresentando aspecto amarelado e sem irregular. Também surgem, em decorrência de seu constante manuseio, pequenos arranhões e riscos. 


Para tratar e corrigir tais problemas da forma mais correta, o baixista deve solicitar os serviços de um luthier competente, capaz de desmontar o corpo do contrabaixo e lixá-lo novamente de maneira bem leve. Depois, são realizados um polimento com máquinas e um novo lixamento. Evidentemente, este processo desgasta camadas de verniz. Neste caso, a solução adequada seria repintar ou, ao menos, retocar a pintura, o que seria mais custoso do que apenas fazer o polimento. 

Se não forem aplicadas em instrumentos desmontados e com máquinas apropriadas, as ceras automotivas (foto 1) podem causar brilhos irregulares na pintura. O problema é que as mãos não conseguem polir com a mesma força e velocidade em todos os pontos por causa do cansaço dos músculos e dos obstáculos criados por captadores, pontes, escudos e outros componentes. Conseqüentemente, nem todos os lugares ficarão livres de manchas. 

É claro que os danos citados acima não surgem da primeira vez que o instrumento é encerado. Mesmo assim, é mais recomendável empregar outros procedimentos para evitá-los, conservando o instrumento sempre com ótimo aspecto. Vale reforçar que tais dicas devem ser utilizadas em instrumentos com acabamento brilhante e fabricados a partir de 1995, revestimentos de nitrocelulose, que não obedecem a essas características, podem estragar se forem submetidos a esse método. Deve-se frisar ainda que esta não é a única maneira de conseguir bons resultados nesta atividade, ou seja, sugestões de outros luthiers podem ser tranquilamente aceitas e colocadas em prática.

Para retirar a gordura no corpo do instrumento, uma boa solução é o uso de um algodão hidrófilo (foto 2) embebido em álcool isopropílico (foto 3). Extremamente puro, sem água e com extrema facilidade de evaporação, o líquido retira com competência resíduos de suor, restos de cera e poluição, além de limpar e eliminar o mau cheiro.

Após a assepsia, várias pessoas utilizam uma cera especifica para guitarras (foto 4), que é 
facilmente encontrada em lojas de instrumentos musicais. O produto possui baixa abrasividade e serve para proteger a pintura e torná-la mais lisa, evitando o aparecimento de riscos. Lembre-se de que sua aplicação deve ser feita somente após á do álcool, sob risco de não limpar a superfície, apenas tornando-a mais gordurosa.

Manchas pequenas ou muito antigas não são extraídas do corpo do instrumento nem com álcool nem com cera. Nesta situação, recomenda-se o emprego de um produto específico para guitarra chamado óleo de limão, que pode ser obtido em lojas especializadas e oficinas de luthiers. Em contato com a pintura, o líquido remove sujeiras grudadas e máculas de suor e de pintura queimada. Deve-se embebê-lo em um algodão hidrófilo, aplicando o conjunto no local desejado. Após cinco minutos, retira-se o excesso com um chumaço seco. Em seguida, a oleosidade resultante é removida com um algodão molhado apenas com álcool isopropílico. O último passo é aplicar a cera da maneira explicada anteriormente (foto 5).

Após o término dessa operação, o acabamento geral da pintura melhorará bastante. Embora não tenha exatamente a mesma qualidade do procedimento executado com máquinas de polir e lixar, fica bem melhor do que se o instrumento fosse apenas encerado. Em um instrumento novo, o resultado propicia enorme proteção contra possíveis desgastes prematuros.


Veja o artigo sobre os efeitos da temperatura  e umidade no contrabaixo