Análise do Baixo no Álbum Indiferança

Anatomia do CD Indiferança do Oficina G3 



O Oficina G3 é, provavelmente, o maior grupo de rock gospel surgido no Brasil e o álbum Indiferença, lançado em 1996, é um dos mais importantes da trajetória do Oficina G3. Para muitos fãs, inclusive. Na época, a formação tinha o cantor Luciano Manga, Afram, Jean Carllos, Lopes e Tambasco. Este último, aliás, fez na época sua primeira gravação como membro da banda.

Em músicas como “Magia Alguma” e “Contra-Cultura”, o baixista interpreta um belo solo de poucas notas, mas totalmente inserido na harmonia. Na quinta faixa, “Glória (instrumental)”, quem brilha é Afram, que faz um solo simplesmente magnífico. 

Na sequência, “Glória” traz várias frases de guitarra e baixo. “Novos Céus”, por sua vez, possui lindas levadas feitas com fretless, assim como “Rei de Salém”. A décima faixa, ‘Duca’s Jam”, é um fantástico groove feito apenas com bateria e baixo, em que a técnica de slap é aplicada com maestria. Utilizando basicamente a tonalidade de Em, Tambasco usa recursos como palm muted, “alicate” e harmônicos. 


Em resumo, Indiferença é um disco maravilhoso e com levadas bastante inspiradas.

Magia Alguma


Construída no tom de F a canção inicia com piano e voz. A partir do compasso 5, há um solo de baixo. Tambasco utiliza praticamente apenas a escala da tonalidade. Uma das exceções está no sexto compasso, em que a fusa é executada em ligadura com Eb, que aparece como outside. Esta também aparece na mensuração seguinte, em que o Eb é empregado, modificando a harmonia.


Espelhos Mágicos



Na introdução desta música, o baixo utiliza a escala menor natural de Si maior. O compasso 4 traz notas de apoio: no acorde de G, os intervalos de nona e décima-terceira; em A, somente alturas de seu arpejo. Em seguida, o instrumento executa um groove no mesmo tom, que tem uma estrutura rítmica típica de rock.



Indiferença



A parte A desta composição traz uma linha, feita junto à guitarra de Juninho Afram, que tem como base a escala penta M7 do acorde de E — que, neste contexto, é usado como power chord —, com fragmentos de blue note. Cuidado com as ligaduras, já que o groove é formado quase que inteiramente por semicolcheias. 

Na parte B, que começa por volta de 1m51s da música, a levada muda de tom para Am. Aqui, a escala usada é a pentatônica menor 7 deste acorde, novamente com a presença de blue notes. Este trecho se repete novamente no fim da música. 



Escrito Por Ricardo Fogo